10.19.2006

pra cris

Chega um tempo em que não se diz mais: meu Deus.
Tempo de absoluta depuração.
Tempo em que não se diz mais: meu amor.
Porque o amor resultou inútil.
E os olhos não choram.
E as mãos tecem apenas o rude trabalho.
E o coração está seco.

Em vão mulheres batem à porta, não abrirás.
Ficaste sozinho, a luz apagou-se,mas na sombra teus olhos resplandecem enormes.
És todo certeza, já não sabes sofrer.
E nada esperas de teus amigos.

Pouco importa venha a velhice, que é a velhice?
Teu ombros suportam o mundo
e ele não pesa mais que a mão de uma criança.
As guerras, as fomes, as discussões dentro dos edifícios
provam apenas que a vida prossegue
e nem todos se libertaram ainda.
Alguns, achando bárbaro o espetáculo,prefeririam (os delicados) morrer.
Chegou um tempo em que não adianta morrer.
Chegou um tempo em que a vida é uma ordem.
A vida apenas, sem mistificação.

5 Comments:

Anonymous Anonymous said...

Vês meus olhos marejados, né.
Te amo, Rafa. :}

5:39 pm  
Blogger Lucas said...

Teu ombros suportam o mundo

8:01 pm  
Anonymous Anonymous said...

Quando eu decorei poemas pra um sarau no colégio, acho que eu decorei esse. Não lembro.


Mas é lindo. =~

6:56 pm  
Anonymous Anonymous said...

É super maravilhoso.

8:44 am  
Anonymous Anonymous said...

Vou ter que declamar esse poema na escola. Vai ser ridículo. Estou inconformada. É constrangedor demais.
E tu nem vai ler isto.

12:57 am  

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